Fluído-estático
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2018, vídeoinstalação em 2 telas, 2'30'', loop, dimensões variáveis
Trechos do vídeo
Em Fluído-estático, Ruchita encosta duas forças em estado puro: o que escorre e o que oprime.
De um lado, o nanquim se derrama e se abre na água como um organismo em expansão — nuvem negra, filamentos, veios, pequenas tempestades internas. A cada segundo, a mancha inventa sua própria lei, ocupa, ramifica, escurece, dilui, desenha um mapa que muda enquanto nasce. A fluidez carrega uma promessa de passagem, como se o mundo ainda pudesse ser atravessado pelo simples gesto de seguir.
Na outra tela, a promessa encontra um peso. Um monólito prensa a mão e fabrica um tipo de imobilidade que não depende de grito, basta a pressão constante. A pele encosta na matéria dura, e o corpo negocia com o limite ali onde o movimento vira mínimo, quase microscópico, um esforço contido que se acumula por dentro. O estático aparece como obstáculo bruto, mas também como um modo de vida: a forma pesada que interrompe, atrasa, dobra a ação até ela caber no espaço que sobra.
Entre o nanquim que se espalha e a mão comprimida, o trabalho dá imagem ao que tantas vezes acontece na vida: um desejo que quer curso e um mundo que responde com densidade; um impulso que se organiza em fluxo e um travamento que se instala como rotina. A obra torna visível essa mecânica íntima e a confusão que se acumula aos poucos, a pressão que vira hábito e faz do loop uma espécie de insistência. A mancha continua a se mover, a mão continua a suportar. O que é fluído e o que é estático deixam de ser opostos e viram uma mesma cena de movimento aprendendo a existir dentro do impedimento.
Stills do vídeo
Registro de exposição