Isso que pulsa

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2018, vídeoinstalação em 9 telas, 2'25'', loop, dimensões variáveis

Trechos do vídeo

 

Em Isso que pulsa, Ruchita construiu uma videoinstalação em nove telas como uma galeria de retratos que encostam na história da pintura. Cada pessoa escolheu uma planta e chegou com ela como quem chega com um segredo: um ramo, uma folha, uma flor, um volume de verde que carrega cheiro, peso e memória. Um gesto fundamental, que fez com que o retrato deixasse de ser “só” rosto, e passasse a ser relação. As perguntas: “Existe diferença entre a vida e uma natureza-morta? Por que a ausência de vida gera simultaneamente repulsa e atração em nós?”, atravessam a obra como um fio de conversa e, ao mesmo tempo, como um modo de afinar o olhar.

Nos enquadramentos, as pessoas aparecem de perfil, entregues a uma pose quieta, quase clássica. A planta ocupa o primeiro plano e, muitas vezes, cobre todo o rosto: um buquê como máscara, um caule como véu, uma folhagem que interrompe a identidade e oferece outra medida. O perfil, tão ligado ao retrato, aqui se mistura ao gênero da natureza-morta, o humano se torna suporte, e a planta se torna personagem. A cena faz da composição um pacto de pele e seiva, olho e folha, respiração e silêncio. Cada imagem sustenta um pequeno paradoxo luminoso, um retrato que se oferece ao desaparecimento e, justamente aí, deixa aparecer outra forma de presença: isso que pulsa, discreto, contínuo, vivo no intervalo entre ver e ser visto.

Isso que pulsa 1.jpg
Stills do vídeo

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