Movimento que silencia

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2018, vídeoinstalação, 5’08’’, loop, dimensões variáveis

Trechos do vídeo

 

Em Movimento que silencia, o gesto cria um movimento de entrar e sair de si. A videoinstalação parte de um paradoxo que a própria obra enuncia: a quietude física desperta ruído mental; já o movimento livre pode abrir um silêncio contemplativo. O que vemos são corpos de mulheres que procuram um ritmo para deslocar a mente do comando, como se a respiração precisasse reencontrar espaço.

Há uma confiança no corpo como instrumento de afinação. Quando a mente acelera, o corpo inventa um ritmo para desacelerar; quando a forma endurece, o movimento devolve porosidade. E a natureza aparece como aliada dessa passagem, condição que autoriza um movimento espontâneo e silencioso, um tipo de escuta que acontece andando, respirando, cedendo. Não se trata, como pode parecer, de “controlar” a mente, mas de ver seus movimentos sem se confundir com eles. O silêncio que surge é, assim, um efeito de atenção, pois quando o corpo se ancora no presente, a mente deixa de correr atrás de si mesma por alguns instantes.

Importa também que, entre as mulheres que performam, uma delas é a própria artista: ela não dirige de fora, entra no campo de forças que propõe. Assim, a obra deixa de ser um comentário sobre o silêncio e se torna um exercício dele, um silêncio que não é falta de som, mas mudança de regime: a mente perde o comando, e o corpo, por instantes, aprende a pensar sem gritar.

Movimento que silencia 2.jpg
Stills do vídeo

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