O vazio cheio de mim

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2018, conjunto de 19 polaróides

Caixa com 19 polaróides 130 cm x 12 cm x 10 cm, edição única

Caixa com 19 polaróides 130 cm x 12 cm x 10 cm, edição única

Em O vazio cheio de mim, Ruchita condensa o deserto em um objeto-linha: uma caixa que abriga uma sequência de 19 polaroides. As imagens foram realizadas no mesmo deserto de Nevada que atravessa as obras Miragem e Fora não há; algumas, inclusive, retornam como matéria de montagem em Miragem

 A obra opera como um pequeno arquivo de horizontes: uma repetição de céu, chão, pedra e distância que insiste até virar outra coisa: não uma paisagem “lá fora”, mas o modo como esse fora se instala por dentro.

 A monotonia externa aparece como um método, pois ao reduzir o mundo a variações mínimas, a série desloca a atenção para o intervalo, para o quase-nada que muda a cada quadro. Nesse sentido, trata-se de um vazio que não é ausência, mas espaço em que a linguagem falha, e, justamente por isso, alguma coisa aparece: pequenas variações, uma luz que muda, a respiração do tempo, a ansiedade de preencher, a vontade de dar sentido. 

 De certa forma, o que incomoda não é o nada, mas aquilo que o nada faz fazer — a pressa de tampar, a fantasia de controle, a invenção de uma história para não encostar no indizível. O vazio cheio de si aparece também como a imagem de uma superfície, a projeção no espelho. Assim, quanto menos o deserto “diz”, mais ele convoca quem olha a preencher, lembrar, fabular, escutar o próprio ruído. Entre uma foto e outra, o tempo se alonga, o corpo percebe sua medida, e o espaço torna-se uma presença.

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