State of stable disequilibrium

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2017, vídeo ,6'10'', loop

Trechos do vídeo

 

Em State of stable disequilibrium, o equilíbrio aparece como uma ficção que o corpo sustenta com trabalho diário: uma dança mínima de ajustes, respirações e microquedas. No vídeo em loop, é a própria Ruchita quem se coloca em cena. Sua silhueta se desenha atrás de um tecido claro, como uma membrana entre dentro e fora, cortina e pele, arquitetura e corpo. As mãos erguidas encostam nessa superfície como quem procura um ponto de apoio que nunca se oferece inteiro. A cada toque, o espaço devolve um limite, e ela responde inventando outra medida.

A luz atravessa a imagem em gradientes, transformando o ambiente em termômetro: zonas de conforto e zonas de ameaça convivem no mesmo quadro. O movimento parece doméstico, quase discreto, e carrega a tensão de um chão que muda, onde qualquer interferência, mínima ou maior, desloca o plano. O desequilíbrio ganha espessura emocional, ele pesa nos ombros, reorganiza a postura e altera o fôlego, como se cada lugar pedisse um “corpo possível” para ser atravessado. A obra faz lembrar que estabilidade costuma ser uma espécie de nome social que damos a um hábito, aquilo que parece firme porque se repete, porque se treina, porque se sustenta em silêncio.

State of stable disequilibrium intensifica essa condição a partir das fotografias, nas quais a imagem aparece em ângulo, suspensa, e o próprio dispositivo recusa a promessa de estabilidade plena. Em primeira pessoa, Ruchita transforma esse estado em linguagem, em uma permanência provisória construída segundo a segundo, com o corpo inteiro.

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Stills do vídeo

Stills do vídeo

 
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Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.

Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.