Entrelinhas

 

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2021, videoinstalação, loop, dimensões variáveis

 Trechos do vídeo

 

Entrelinhas é uma videoinstalação em loop, de dimensões variáveis, composta por três telas. Um fio vermelho atravessa o espaço como quem atravessa uma vida: maleável, emaranha, amordaça, estica até quase romper. Ele poderia ser metáfora fácil, mas aqui vira objeto insistente, aquilo que torna visível o intervalo entre o “eu” e o “mundo”, o lugar onde o corpo negocia, cede, resiste. A linha é corda bamba, tear de ações sobrepostas, rede que sustenta o peso; e, ao mesmo tempo, denúncia: destino não é natureza, é trama.

 Ruchita, em colaboração com Esha, mede a “metragem possível” e faz dela confronto. Embaraça a distância, comprime a liberdade, tensiona intenções. A ilusão do controle aparece como força que captura corpos e vivências, e a postura feminista entra como lâmina para nomear o fio e para recusar a corda no pescoço, a regra no gesto, a docilidade como contrato. Quando o fio infiltra o solo, como raiz, não é para pacificar, é para revelar a violência calma com que o mundo tenta nos prender, tenta transformar movimento em lugar, escolha em dever, corpo em destino. No final, o vermelho não “ilustra” nada: ele pulsa, marca o lugar exato em que a contenção vira risco, e o risco vira linguagem. Entre um nó e outro, a obra faz aparecer uma pergunta prática: o que, em nós, ainda se move apesar da trama?

Still do vídeo

 

Simulação expositiva

 

Registro de exposição

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